As marcas falam com o agro como se ele fosse ignorante

O que mais importa para o marketing no agro hoje: o erro mais comum do mercado é tratar o setor como segmento econômico, não como ecossistema cultural.

As marcas falam com o agro como se ele fosse ignorante

Confira o que você vai saber na edição da BRING ME DATA - Agro desta quinta-feira, 02/03:

As marcas falam com o agro como se ele fosse ignorante

BRING ME MORE: o Brasil é tratado como o vilão ambiental do planeta.​

Projeção de safra recorde de soja no Brasil e por que isso não garante lucro para ninguém 

O pãozinho virou o novo porta‑voz dos custos do agro 


As marcas falam com o agro como se ele fosse ignorante

R$ 2,72 trilhões em PIB. Produtor jovem, conectado, com IA no pasto e Louboutin no pé. E o que as marcas mandam? Foto de trator antigo, linguagem de quem explica o óbvio e patrocínio de rodeio como se fosse estratégia.

O estudo "Novo Agro", lançado pela Eixo e Zygon, mapeou uma transformação que vai muito além. Alguns números:

  • R$ 2,72 trilhões em PIB
  • 28 milhões de empregos diretos
  • 7 em cada 10 brasileiros ouvem música sertaneja
  • 9 dos 10 álbuns mais ouvidos no Brasil são do gênero
  • Mais de 1.000 rodeios por ano, movimentando R$ 9 bilhões
  • Agrishow 2025: R$ 14,6 bilhões em negócios, 197 mil visitantes
  • Festa do Peão de Barretos: R$ 600 milhões em uma única edição

Pesquisa do Boston Consulting Group com mais de 1.350 produtores em 15 estados mostrou:

  • 47% têm mais de 45 anos (nos EUA, são 63%)
  • 27% têm até 34 anos
  • 21% têm curso superior
  • 84,8% da população rural já tem acesso à internet

O produtor brasileiro é mais jovem, mais conectado e mais escolarizado do que o estereótipo sugere e lidera a adoção de tecnologias como IoT, IA e agricultura de precisão. Enquanto isso, muita marca ainda comunica com imagem de trator antigo e linguagem paternalista.

O estudo da Eixo identificou perfis distintos:

  • O produtor tech, que pilota drone e monitora safra por app
  • O "vaqueiro pop", que mistura bota texana com grife internacional
  • A "AgroPaty", herdeira conectada, com formação em agronomia e visão ESG
  • A "AgroPeoa", que disputa arena com competência técnica
  • Mais de 1 milhão de produtoras rurais. 30 milhões de hectares geridos por mulheres. Crescimento de 109% no emprego formal feminino no setor.

O agro não é homogêneo, é plural, moderno e culturalmente ativo. Goiânia foi chamada de "Dubai brasileira" pelo estudo, o crescimento de 80% em lançamentos imobiliários de alto padrão.

Porta de entrada prioritária pra grifes como Chanel, Tiffany e Louboutin. Vendas de picapes premium cresceram 74%. Buscas por botas western: +379%. Camisas com franja: +265%.

Veja a análise completa.

📉 Corrida global por fertilizantes: como empresas brasileiras de insumos, cooperativas e grandes produtores devem agir para garantir suprimento, travar preços e comunicar risco com transparência.

🚙Gestão de portfólio e comunicação em categorias sensíveis: como marcas de alimentos e redes de varejo podem explicar reajustes, oferecer alternativas e trabalhar reputação

🤝 Política de preços mínimos e decisões de plantio: como o reajuste afeta planejamento de produtores, cooperativas e indústria

📉Agrishow 2026 consolida a era da gestão baseada em dados e inteligência no campo

🎧 Podcast Rotação de Culturas: ouça todos os episódios do melhor podcast de marketing no agronegócio, produzido pela Macfor. 

O Brasil é tratado como o vilão ambiental do planeta

Mas preserva mais do que EUA e Europa juntos. ​E mesmo assim continua sendo o réu. ​​66% do território brasileiro é vegetação nativa preservada. ​EUA: 19,9%. ​UE: 19,8%.​​E não para por aí.​​Propriedades rurais no Brasil são obrigadas por lei a preservar entre 20% e 80% da área como reserva legal. ​Nos EUA essa obrigação não existe. ​Na Europa também não.​​

Veja o artigo completo de Diogo Luchiari.

Quem é Diogo Luchiari?

Top Agribusiness Voice, Diogo é Sócio & VP de CS e Operações da Macfor, maior agência de agro do país, é formado em Engenharia Agronômica pela UNESP e Universidade de Minnesota com MBA em Marketing pela FGV-SP e pós-graduação em Data Science e IA. Especialista em inteligência comercial e soluções para o agro, ele lidera estratégias de marketing digital baseadas em Data Science.

Projeção de safra recorde de soja no Brasil 
e por que isso não garante lucro para ninguém 

O Brasil está prestes a entregar mais uma safra histórica de soja – e isso é ótimo para a manchete, mas péssimo se a sua estratégia ainda for “quanto mais eu produzo, melhor eu fico”.

A nova fotografia da safra 2025/26 mostra um país gigante em volume… e cada vez mais pressionado em margem. 

A Agroconsult projeta uma produção de 184,7 milhões de toneladas de soja, um salto de 11,5 milhões de toneladas em relação à safra anterior. A produtividade média estimada é de 62,7 sacas por hectare, com área plantada de 49,1 milhões de hectares. 

Na prática, significa que o Brasil consolida seu papel como superpotência da soja, tanto no grão quanto no esmagamento, farelo e óleo. A Abiove projeta um recorde de processamento interno em 2026, com mais de 61 milhões de toneladas esmagadas, reforçando o país como plataforma não só de commodity, mas de proteína e energia. 

O problema é que safra cheia, câmbio menos estressado e custo financeiro ainda alto formam a equação perfeita para pressionar margens. Em várias regiões, o que separa o lucro do prejuízo é a diferença entre a produtividade “bonitinha de apresentação” e a produtividade acima do break-even operacional. 

E esse número, em muitos casos, está perigosamente colado na média histórica. 
Ou seja: qualquer desvio de clima, logística ou preço vira um teste de estresse imediato para o fluxo de caixa. 

No fim, a pergunta que importa não é “quanto o Brasil vai colher?”, mas “quanto a sua operação precisa colher para empatar e o que você está fazendo, em termos de gestão e mercado, para ficar acima disso?”. 

Porque a safra pode ser recorde, mas quem não souber jogar o jogo de margem, risco e eficiência vai descobrir que “recorde” não paga conta. 

Veja o artigo completo.


O pãozinho virou o novo porta‑voz dos custos do agro

Quando o pão francês entra na conversa, é porque a inflação deixou de ser um número e virou assunto na mesa do café da manhã. São Paulo deve ver uma alta relevante na farinha de trigo já a partir de abril.

O setor moageiro trabalha com expectativa de reajuste na casa de um dígito, em um contexto de farinha girando na faixa de dois mil reais por tonelada. 
O custo de frete subiu, puxado pela alta do diesel.

A instabilidade geopolítica mexe com o preço de combustíveis e a logística internacional, impactando cadeias que dependem de importação de trigo e insumos. Para completar, mudanças tributárias recentes reduziram benefícios para a indústria nacional e aumentaram a carga sobre o produto importado, criando um quebra‑cabeça fiscal que o consumidor não vê, mas sente no bolso. 

No fundo, a farinha virou um exemplo perfeito de como o agro, a logística, a tributação e a política econômica se encontram na gôndola. E esse é o tipo de história que o setor precisa aprender a contar melhor: explicar, com clareza e transparência, por que o preço sobiu sem cair na armadilha da linguagem técnica.

Se o produtor, o moinho, a indústria e o varejo não ocuparem esse espaço de narrativa, alguém vai ocupar por eles e normalmente não é quem conhece a planilha de custos. Saiba mais.


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