Soberania digital no agro? Produzir aqui, gerenciar lá

O que mais importa para o marketing no agro hoje: produtor brasileiro descobre as novas regras de exportação lendo a tradução do Diário Oficial Europeu, vai colher mais soja e ganhar menos e Por que o setor compra validação fora do próprio território? Veja na edição.

Soberania digital no agro? Produzir aqui, gerenciar lá

Confira o que você vai saber na edição da BRING ME DATA - Agro desta quinta-feira, 14/05:

Soberania digital no agro? Produzir aqui, gerenciar lá

BRING ME MORE: A Agrishow vendeu menos. E a culpa não é da feira.

Brasil vai exportar mais e faturar menos

O setor está comprando validação fora do próprio território


Sobrania digital no agro? Produzir aqui, gerenciar lá

Sem fórum bilateral. Sem assento na mesa de Bruxelas, e o produtor brasileiro descobre as novas regras de exportação lendo a tradução do Diário Oficial Europeu.

O agro fechou 2025 com US$ 169,2 bilhões exportados, 48,5% de tudo que o Brasil vendeu lá fora, segundo o Ministério da Agricultura. O país virou o maior exportador mundial de commodities agropecuárias desde 2023, conforme o Insper Agro Global.

Só que o software que gerencia essa lavoura foi escrito em Iowa e em Wageningen. Clima temperado, safra única, fazenda pequena, regulação europeia. Nada disso existe no Cerrado.

A EUDR entrou em vigor em 30 de dezembro. Custo de conformidade estimado em US$ 17,5 bilhões por ano, segundo a BIP, com risco de afetar 16% das exportações da agroindústria. Não é tarifa. É o preço de operar com regra escrita por quem não planta um hectare aqui.

O ecossistema de agtechs brasileiras cresceu 75% entre 2019 e 2024, chegando a 2.000 empresas, com R$ 520,6 milhões em aporte no ano passado (Radar Agtech Brasil/Embrapa). Existe capacidade técnica. Não existe ainda uma plataforma nacional disputando as operações de grande escala.

E o mercado segue olhando para a cotação da soja em Chicago, com pouca gente prestando atenção em quem é o dono do sistema que vai certificar essa soja em 2027.

Veja a análise completa.

📉 Pelos dados de abril, o Brasil já embarcou 13,7 milhões de toneladas de soja até a 4ª semana do mês.

🚙Banco do Brasil vê sinais de melhora na adimplência do agro, mas segue monitorando de perto o setor

🤝 Brasil amplia acesso a novos mercados para frutas e insumos agropecuários, reforçando diversificação além de soja e carne

📉Cota de carne bovina brasileira para a China já está 65% preenchida, atenção redobrada para o segundo semestre

🎧 Podcast Rotação de Culturas: ouça todos os episódios do melhor podcast de marketing no agronegócio, produzido pela Macfor. 

A Agrishow vendeu menos. E a culpa não é da feira.

Semana passada, a manchete correu o agro inteiro: "Agrishow registra primeira queda em 11 anos. Intenções de negócio caem 22%." R$ 11,4 bilhões contra R$ 14,6 bilhões do ano anterior. Em valores corrigidos pela inflação, o tombo chega a 25%. E no dia seguinte, como sempre acontece, veio o coro de análises rasas: "o agro está em crise", "o produtor parou de investir", "o setor desacelerou". Eu estava em Ribeirão Preto. Vi o que aconteceu lá dentro. E o que eu vi não foi um setor em crise. Foi um setor sendo sufocado.

Veja o artigo completo de Diogo Luchiari.

Quem é Diogo Luchiari?

Top Agribusiness Voice, Diogo é Sócio & VP de CS e Operações da Macfor, maior agência de agro do país, é formado em Engenharia Agronômica pela UNESP e Universidade de Minnesota com MBA em Marketing pela FGV-SP e pós-graduação em Data Science e IA. Especialista em inteligência comercial e soluções para o agro, ele lidera estratégias de marketing digital baseadas em Data Science.

Brasil vai exportar mais e faturar menos

Sem quebra de safra. Sem crise climática, e o produtor brasileiro vai colher o maior volume de soja da história e fechar 2026 com menos dinheiro do que em 2025.

A Abiove projeta 113,6 milhões de toneladas exportadas no ano, recorde absoluto. A safra 2025/26 também é máxima histórica, com 177,85 milhões de toneladas. No primeiro trimestre, o Brasil embarcou 23,46 milhões, alta de 5,93% sobre o ano passado (IMEA).

Só que a receita projetada do complexo soja caiu de US$ 58,17 bilhões para US$ 51,18 bilhões numa única revisão mensal, em abril. Fica abaixo dos US$ 52,9 bilhões de 2025. O preço médio de exportação despencou de US$ 440 para US$ 370 por tonelada.

Safra recorde, estoques globais cheios, real abaixo de R$ 5,00, China importando 10% menos em março. Tudo apontando pro mesmo lado. Quando o mercado fecha assim, não tem mecanismo externo que compense. Sobra gestão de preço, ou a falta dela.

A margem bruta do sojicultor caiu de 78 para 64 sacas por hectare. O custo subiu 4% na safra, com fertilizante puxando 10% (CNA). E o produtor que esperou o mercado virar chega na colheita sem margem e sem alternativa, exceto vender no spot pra cobrir compromisso.

O agro brasileiro produz como ninguém no trópico. Vende mal há anos. 2026 não é exceção, é a versão mais cara desse padrão.

Veja o artigo completo.


O setor está comprando validação fora do próprio território

Tem marketing de marca grande do agro que ainda confunde alcance com decisão de compra.

Paga fortuna por visibilidade e se surpreende quando a venda da safra não acompanha.​​Vira-lata digital é isso. O setor comprando validação fora do próprio território. ​​Agroinfluencer funciona, e funciona bem. Pra topo de funil específico.

Apresenta marca pra público novo, gera menção, engaja em pauta de imagem. É ferramenta de awareness. Cobrar conversão técnica dela é pedir o que ela não se propõe a fazer.​​O produtor rural brasileiro decide compra técnica como sempre decidiu.

Pelo RTV que visita a fazenda. Pelo vizinho que testou na safra anterior. Pelo dia de campo que mostrou resultado no próprio talhão. Rede social entra antes disso, como pesquisa preliminar.

Não como fechamento.​​McKinsey "A Mente do Agricultor Brasileiro 2024" confirma o que quem opera no setor já sabe. O produtor é multicanal, mas fecha por relacionamento técnico e prova local.​

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